Archive for Fevereiro, 2010

“Energia Nuclear – Sim ou Não?” por Leonor Martins

A energia nuclear é conseguida através da denominada reacção de fissão induzida nos átomos radioactivos de urânio, pela adição de neutrões. Tal reacção, que consiste na divisão de um átomo em dois, tem como consequência a libertação de energia que poderá posteriormente ser armazenada e utilizada pelo homem nas suas variadas actividades.

Após esta explicação introdutória do que se trata afinal a energia nuclear, a oradora Leonor Martins apresentou alguns prós e contras relativamente à produção e utilização deste tipo de energia, dando assim início a uma interessantíssima reflexão e discussão colectiva sobre o tema.

Se por um lado a produção de energia nuclear proporciona a existência de uma fonte de energia alternativa ao petróleo, sem emissão de gases causadores do efeito estufa, sendo que além disso, cada 0,5kg de urânio enriquecido equivale a 4 milhões de litros de gasolina em termos energéticos… Por outro lado a utilização desta substância radioactiva apresenta mais perigos na sua utilização (quer pelo seu transporte, quer pela eventualidade de acidentes). Além disso, a produção de energia nuclear, que já em si é bastante dispendiosa do ponto de vista do investimento e da manutenção, tem como consequência a criação de resíduos perigosos cuja gestão e deposição ainda não têm solução à vista.

A questão foi levantada, as opiniões divergiram e o debate enriqueceu-se, porque todos ganhámos em informação e reflexão.

Apresentadora: Leonor Martins
Evento: Cooltiva-te V
Data: 21 de Fevereiro de 2010

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“A cor e os seus efeitos psicológicos” por Jorge Ramalho

A cor, ao ser captada pelo globo ocular, transmite estímulos sensoriais ao cérebro assumindo assim a capacidade de provocar no homem sensações de prazer ou desprazer, de energia ou marasmo. Defendendo a ideia de que “a cor é a música do silêncio”, Jorge Ramalho despertou-nos para a importância da luz e das cores no nosso dia a dia, no nosso estado de espírito e na nossa personalidade.

Porque a cor transmite, além de sensações estéticas, energia, devemos decorar os espaços onde nos movemos em função do tempo em que neles permanecemos e das sensações que queremos potenciar. Assim, cores vivas e quentes podem ser um bom estímulo à vivacidade, à actividade. Contudo, se as colocarmos intensamente em espaços onde permanecemos longos períodos de tempo (local de trabalho, sala de estar, quarto de dormir), podemos despoletar com o tempo reacções de hipersensibilidade que induzirão stress, irritabilidade, nervosismo, hiperactividade, agressividade, dificuldade de concentração, insónia, perda do apetite, entre outros.

No seio desta reflexão, o orador referiu ainda a importância de todos estes aspectos no desenvolvimento da personalidade das crianças, em ambientes por elas frequentados.

Em suma, a cor deve ser utilizada de forma contida e pontual, permitindo-nos sempre a possibilidade de mudança e adaptação, em busca do equilíbrio e da harmonia que contemplamos na natureza e dos quais necessitamos.

Apresentador: Jorge Ramalho
Evento: Cooltiva-te V
Data: 21 de Fevereiro de 2010

“O (des)concerto do Mundo segundo Amin Maalouf” por Fernanda Coelho

Em permanente inquietação pela construção de uma cultura de paz universal, Amin Maalouf, nascido no Líbano (cidade que abandonou aos 28 anos em refúgio da onda de violência que despoletou a guerra civil libanesa) e tendo emigrado para Paris, dedicou grande parte da sua obra cultivando a defesa da harmonia universal, da tolerância, do respeito e da paz, valores que são frequentemente fragilizados pela falta de reciprocidade nas relações humanas.

Através da reflexão e análise de dois livros do autor supracitado (As identidades assassinas e Um mundo sem regras), a oradora Fernanda Coelho conduziu-nos por um intenso e atractivo itinerário exploratório da complexidade das identidades humanas e da necessidade da sua contemplação integra e global, confortável e acolhedora, porque “(…) todos somos parte integrante da espécie humana, diferentes e iguais, mais iguais do que diferentes, e todos necessários à construção do mundo.” (Amin Maalouf, cit. por Fernanda Coelho, Cooltiva-te, 21 de Fevereiro de 2010).

Apresentadora: Fernanda Coelho
Evento: Cooltiva-te V
Data: 21 de Fevereiro de 2010

Sessão V :: 21 de Fevereiro de 2010

O encontro V do Cooltivate está na eminência de acontecer e pela primeira vez acontecerá no Piano-bar do Clube Literário do Porto com a seguinte agenda:

17h00 – Breve apresentação da Sessão e Informações gerais (10 min)
17h10 – Sessão A :: Apresentação Literária :: O (des)concerto do Mundo segundo Amin Maalouf por Fernanda Coelho (40 min)
17h50 – Sessão B :: Apresentação Cultural :: “A cor e os seus efeitos psicológicos” por Jorge Ramalho (40 min)
18h30 – Intervalo (10 min)
18h40 – Sessão C :: Debate :: “Energia Nuclear – Sim ou Não?” por Leonor Martins (40 min)
19h20 – Conclusões e Anúncios Futuros (10 min)

Nesta sessão iremos ter 3 oradores novos! Vem prestigia-los e Cooltivar-te!
Junta-te a nós e divulga!

“Sindicalismo” por Maria Inês Graça

Paradoxalmente ao esperado numa época de crise como a que vivemos, o sindicalismo parece ter vindo a perder força, apoiantes e representantes. Não obstante ser uma realidade social nem sempre vista com bons olhos, a oradora Maria Inês Graça agarrou o desafio da sua comunicação sobre o sindicalismo com todo o entusiasmo.

O sindicalismo teve a sua origem na revolução industrial pela criação de associações de socorros mútuos em apoio aos trabalhadores doentes e desempregados. Em Portugal, a actividade sindical nasce no séc. XX no seio de uma cultura e inspiração católica, tendo sido, contudo, a partir do 25 de Abril, dinamizado e controlado pelo partido comunista. Assim se foi construindo na Europa, com a ajuda dos sindicatos, um estado social que procurou criar sociedades solidárias, pela definição mais justa e equilibrada de deveres e direitos, tanto para os trabalhadores, como para as entidades patronais.

Com a proliferação do neoliberalismo e, actualmente com o surgimento de crises económicas assinaláveis, a Europa, berço das civilizações ocidentais e com um património social, humanista e civilizacional, tem-se vindo a transformar num local desigualdades sociais, onde o estado social, infelizmente, se revela insustentável.
É nos momentos de crise que se dão as grande mudanças!

E, segundo a oradora, a crise que vivemos irá estimular a criação de actividades comunitárias solidárias e, como consequência, um ressurgimento do sindicalismo, passando de um paradigma individualista para uma sociedade interdependente. Este, por sua vez, para poder dar resposta às necessidades actuais, terá que se globalizar, abrir fronteiras, trabalhar em rede, e assumir dimensões transnacionais.

Apresentadora: Maria Inês Graça
Evento: Cooltiva-te IV
Data: 7 de Fevereiro de 2010

“1974… O antes e o depois” por António Pacheco da Silva

Com base na experiência das duas metades da sua vida (uma vivida antes do 25 de Abril de 1974 e a outra após essa data) e perante a constatação inquietante do contraste entre o seu conhecimento e o conhecimento das gerações seguintes (nomeadamente das suas filhas) sobre a realidade do Estado Novo, da Revolução, do Pós-revolução e da actualidade, o orador António Pacheco da Silva levou a cabo um louvável esforço de contemplação imparcial deste marcante período da História de Portugal.

Esta apresentação em forma de confronto e discussão saudável de ideias revelou em si mesma que o conhecimento das diferentes gerações presentes na sala sobre esta temática é manifestamente diferente, como consequência da diferença entre o conhecimento da experiência vivida e o conhecimento que é fruto da informação revelada (nomeadamente pela escola, através das aulas de história).

Pela reflexão e discussão dos erros do passado (como a limitação da liberdade e a censura), bem como dos aspectos que nos trazem saudade, por serem positivos, (o crescimento e desenvolvimento económico do país e das suas colónias) o orador fez sobressair uma conclusão essencial: o presente e o futuro serão melhores se conhecermos o passado tal como ele foi, sem demagogias nem preconceitos, para evitarmos repetir os erros dos nossos antecessores e dele conservarmos o seu potencial positivo, transcendendo-o.

Apresentador: António Pacheco da Silva
Evento: Cooltiva-te IV
Data: 7 de Fevereiro de 2010

“O Mundo na nossa Mão” por Dulce Maria Silva

Iniciando a sua apresentação a partir de todo o simbolismo envolto da imagem de um globo invertido sob a acção fagocitadora de duas mãos humanas, a oradora Dulce Silva realizou uma cativante comunicação sobre a importância da preservação do planeta terra. O Homem, que dele frui de modo mais deliberado, tem nas suas mãos o poder de reconhecer quais os comportamentos que lhe são maléficos e como reorganizar ecologicamente os hábitos e costumes, tendo em vista a continuidade saudável da natureza e da nossa existência.

Através desta apresentação pudemos explorar os diferentes tipos de poluição que produzimos (atmosférica, hídrica e do solo) e suas principais consequências (efeito estufa, extinção de seres vivos e os danos da criação de chuvas de PH ácido). Outro aspecto relevantemente focado foi o nível de poluição que os ambientes fechados comuns podem atingir, ambientes nos quais passamos 90% das nossas vidas.

Mas perante o reconhecimento desta realidade, urge a necessidade de actuação, de mobilização activa, que contrarie estas tendências auto-destrutivas. Além de assinaladas algumas medidas já conhecidas pela divulgação dos meios de educação cívica e de comunicação social, como a reciclagem ou a diminuição de transmissão de gases poluentes e tóxicos para a atmosfera, foram divulgadas iniciativas originais como a denominada de “Sequestro do dióxido de carbono” levada a cabo pelo Parque Biológico de Gaia, que através da participação activa da comunidade envolvente na plantação de árvores e plantas fotossintéticas contribuam para a um maior consumo de dióxido de carbono e consequente aumento de produção de oxigénio.

Apresentadora: Dulce Maria Silva
Evento: Cooltiva-te IV
Data: 7 de Fevereiro de 2010